O Brasil tem uma meta: todas as crianças plenamente alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental, aos 7 ou 8 anos de idade. É uma meta razoável, adotada por países de todos os níveis de desenvolvimento. E o Brasil está longe de cumpri-la.
Os dados do SAEB 2025 mostram que 52% das crianças brasileiras terminam o 2º ano sem atingir o nível adequado de alfabetização. No Norte e Nordeste, o percentual chega a 65%. São milhões de crianças que chegam ao 3º, 4º, 5º ano sem dominar a leitura e a escrita — o que compromete todo o aprendizado subsequente.
Por que a alfabetização falha
As causas são múltiplas e interligadas. A formação de professores alfabetizadores é inadequada em muitos cursos de pedagogia — há décadas de debate sobre métodos de alfabetização que deixaram professores confusos sobre o que funciona. A evidência científica sobre o tema é clara: o método fônico, que ensina a correspondência entre letras e sons de forma sistemática, é o mais eficaz para a maioria das crianças. Mas sua adoção nas escolas brasileiras ainda é irregular.
Há também fatores socioeconômicos: crianças em situação de vulnerabilidade chegam à escola com menos exposição prévia à linguagem escrita, o que exige mais tempo e atenção individualizada — recursos que muitas escolas públicas não têm.
O que está funcionando
Alguns estados e municípios estão conseguindo resultados melhores. O Ceará é o exemplo mais citado: com investimento consistente em formação de professores, material didático estruturado e acompanhamento sistemático dos resultados, o estado melhorou significativamente seus indicadores de alfabetização na última década. A lição é que é possível — mas exige comprometimento de longo prazo.