Há 2,3 milhões de brasileiros aguardando cirurgias eletivas pelo SUS. Outros 8 milhões esperam por consultas com especialistas. Esses números, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2025, representam vidas em espera — dores não tratadas, doenças que progridem, qualidade de vida comprometida.

A fila do SUS é um problema conhecido. O que é menos discutido são as causas estruturais que a alimentam — e que tornam difícil resolvê-la apenas com mais recursos.

O problema da distribuição

O Brasil tem um número razoável de médicos per capita — cerca de 2,3 por mil habitantes, próximo da média da OCDE. O problema é a distribuição. A maioria dos médicos está concentrada nas capitais e nas regiões Sul e Sudeste. Municípios do interior do Norte e Nordeste têm déficits graves de profissionais de saúde.

O Programa Mais Médicos, criado em 2013, tentou endereçar esse problema com incentivos para médicos atuarem em áreas carentes. Teve resultados positivos, mas a rotatividade é alta e a sustentabilidade do programa depende de vontade política que oscila com as mudanças de governo.

A atenção primária como solução

Especialistas em saúde pública são quase unânimes: a solução para a fila do SUS passa pelo fortalecimento da atenção primária. Uma atenção primária forte — com equipes de saúde da família bem estruturadas, com resolutividade, com capacidade de acompanhar pacientes crônicos — reduz a demanda por especialistas e por internações.

O Brasil tem um modelo de atenção primária reconhecido internacionalmente — a Estratégia Saúde da Família. Mas a cobertura ainda não é universal, e a qualidade varia enormemente entre municípios.

Indicadores: 2022–2026 202245%202358%202472%202565%202688%