O IPCA fechou 2025 em 4,2% — dentro da meta, dentro do esperado. Mas se você perguntar para qualquer dona de casa ou qualquer trabalhador que faz compras no supermercado, a sensação é de que os preços subiram muito mais do que isso. E eles não estão errados.

A inflação dos alimentos, medida pelo subgrupo "alimentação no domicílio" do IPCA, acumulou 7,8% em 2025. Itens específicos subiram ainda mais: o óleo de soja acumulou alta de 22%, o feijão 18%, a carne bovina 14%. Para famílias que gastam 30% ou mais da renda com alimentação — o que é comum nas faixas de menor renda —, esses números representam uma perda real de poder de compra.

Por que os alimentos sobem mais

A explicação tem várias camadas. A primeira é climática: o Brasil passou por eventos extremos nos últimos anos — secas, geadas, enchentes — que afetaram safras importantes. O feijão, por exemplo, é particularmente sensível a variações climáticas e tem pouca capacidade de estoque de longo prazo.

A segunda é cambial. O Brasil é um grande exportador de alimentos, e quando o dólar sobe, os produtores têm incentivo para exportar em vez de vender no mercado interno. O que é bom para a balança comercial pode ser ruim para o consumidor brasileiro.

A terceira é estrutural: a cadeia de distribuição de alimentos no Brasil é longa e cara. Entre o produtor e o consumidor final, há muitos intermediários, cada um adicionando sua margem. Isso amplifica qualquer aumento de custo na ponta da produção.

O que pode mudar

Não há solução simples. Mas especialistas apontam algumas direções: investimento em infraestrutura de armazenagem e logística para reduzir perdas e custos de distribuição; políticas de estabilização de preços para itens básicos; e fortalecimento da agricultura familiar, que produz boa parte dos alimentos consumidos internamente e tem menor dependência do câmbio.

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